segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O VERBO NA CRIAÇÃO TERRESTRE

     A ciência do mundo não lhe viu as mãos augustas e sábias na intimidade das energias que vitalizam o organismo do Globo. Substituíram-lhe a providência com a palavra "natureza", em todos os seus estudos e análises da existência, mas o seu amor foi o Verbo da criação do princípio, como é e será a coroa gloriosa dos seres terrestres na imortalidade sem-fim. E quando serenaram os elementos do mundo nascente, quando a luz do Sol beijava, em silêncio, a beleza melancólica dos continentes e dos mares primitivos, Jesus reuniu nas Alturas os intérpretes divinos do seu pensamento. Viu-se, então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas, que envolveu o imenso laboratório planetário em repouso.
    Daí a algum tempo, na crosta solidificada do planeta, como no fundo dos oceanos, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra.
    Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada. Com essa massa gelatinosa, nascia no orbe o protoplasma e, com ele, lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros homens.


in "O VERBO NA CRIAÇÃO TERRESTRE". A CAMINHO DA LUZ - EMMANUEL/CHICO XAVIER - FEB, 1939.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Problemas Pessoais - por André Luiz

A fé viva não é patrimônio transferível. É conquista pessoal.

A felicidade legítima não é mercadoria que se empresta. É realização
íntima.

A graça do Céu não desce a esmo. Tem que ser merecida.

A melhor caridade não é a que se faz por substitutos. Cabe-nos
executá-la por nós mesmos.

A fortaleza moral não é produto de rogos alheios. Provém do nosso
esforço na resistência para o bem.

A esperança fiel não se nos fixa no coração através de simples contágio.
É fruto de compreensão mais alta.

O verdadeiro amor não nasce das sombras do desejo. É fonte cristalina
e inexaurível do espírito eterno.

O conhecimento real não é construção de alguns dias. É obra do tempo.

O paraíso jamais será adquirido pela sagacidade da compra. É atingível
pela nossa boa-vontade em fugir ao purgatório ou ao inferno da própria
consciência.

A proteção da Esfera Superior é inegável para todos nós que ainda nos
movimentamos na sombra. Ai de nós, todavia, se não procurarmos as bênçãos
da luz!


(Agenda Cristã. André Luiz/Chico Xavier.)

(Que espécie de justiça reclamou o Senhor para Ele, quando vergava sobre a cruz?)

...
Nesse ponto, a interlocutora, parecendo melindrada, acentuou asperamente:
- Suas palavras são filhas da pregação religiosa, mas eu estou à procura da
justiça...

E com riso irônico, terminava:
- Aliás, da justiça apregoada por Jesus.

O missionário não se exaltou ante o sarcasmo do gesto que acompanhou a
observação ingrata e disse-lhe, bondoso:
- A justiça!  quantos crimes se praticam no mundo em seu nome! quantos
homens e mulheres, que, em procurando fazer justiça sobre si mesmos, nada
mais fazem que incentivar a tirania do «eu»? Refere-se a irmã ao Divino
Mestre. Que espécie de justiça reclamou o Senhor para Ele, quando vergava
sobre a cruz? Nesse sentido, minha amiga, o Cristo nos deixou normas de que
não deveremos esquecer. O Mestre mantinha-se vigilante em todos os atos
alusivos à justiça para os outros. Defendeu os interesses espirituais da
coletividade, até a suprema renunciação; entretanto, quando surgiu a ocasião
do seu julgamento, guardou silêncio e conformação até ao fim. Naturalmente
não desejou o Mestre, com semelhante atitude, desconsiderar o serviço
sagrado dos juizes retos, no mundo carnal, mas preferiu adotá-la,
estabelecendo o padrão de prudência para todos os discípulos de seu
Evangelho, nas mais diferentes situações. Ao se tratar de interesses
alheios, minha irmã, devemos ser rápidos na justificação legitima;
entretanto, quando os assuntos difíceis e dolorosos nos envolvem o «eu»,
convém moderar todos os impulsos de reivindicação. Nem sempre a nossa visão
incompleta nos deixa perceber a altura da dívida que nos é própria. E, na
dúvida, é lícita a abstenção. Acredita que Jesus tivesse algum débito para
merecer a sentença condenatória? Ele conhecia o crime que se praticava,
possuía sólidas razões para reclamar o socorro das leis; no entanto,
preferiu silenciar e passar, esperando-nos no campo da compreensão legítima.
É que o Mestre, acima do «olho por olho» das antigas disposições da lei,
ensinou o «amai-vos uns aos outros», praticando-o invariavelmente. Confirmou
a legalidade da justiça, mas proclamou a divindade do amor. Demonstrou que
será sempre heroísmo o ato de defender os que merecem, mas se absteve de
fazer justiça a si mesmo, para que os aprendizes da sua doutrina estimassem
a prudência humana e a fidelidade divina, nos problemas graves da
personalidade, fugindo aos desvarios que as paixões do «eu» podem
desencadear nos caminhos do mundo.

(de "Missionários da Luz". André Luiz/ Chico Xavier. FEB)

Palavras dos meus Silêncios - Lúcia Constantino

Mestre,
direciona-me no caminho
para que eu saiba ouvir
a água que canta pelos olhos
dos meus irmãos,
e saiba interpretar este canto
como um código dos anjos.
Que eu acredite, ó Mestre,
ser ainda capaz
de ouvir a canção de uma alma
e nela reconhecer o eco
de Tua voz.


(Direitos autorais reservados à autora)
http://cantaresepoesia.blogspot.com/

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Se o sol não iluminasse... (Tagore)

Se o sol não iluminasse, derramando inestimáveis
bênçãos que aquecem e alimentam;

Se a lua não trouxesse tanta poesia às noites
de minhas esperanças;

Se o mar não fosse tão rico, ostentando a fluência
de suas águas azulíneas, na vastidão dos espaços;

Se o verde das campinas não oferecesse reconforto
e refazimento aos meus olhos crestados pelas desilusões;

Se a música que as aves sabem executar não ressoasse
em meu ser, qual mensagem de vida e alegria;

Se eu não encontrasse na candura da flor
alívio e esperança para as amarguras do mundo;

Se o sorriso da criança não me falasse de um
futuro melhor, referto de entendimento e concórdia;

Se eu, finalmente, não percebesse, nos horizontes da
própria alma, a aurora da imortalidade venturosa, talvez
ainda assim não duvidasse de Tua existência, Senhor!


(No Bosque da Solidão - Tagore além das estrelas - Tagore/ Ariston Santana Teles)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

" - O sexo tem sido tão aviltado pela maioria dos homens reencarnados na Crosta que é muito difícil para nós outros, por enquanto, elucidar o raciocínio humano, com referência ao assunto. Basta dizer que a união sexual entre a maioria dos homens e mulheres terrestres se aproxima demasiadamente das manifestações dessa natureza entre os irracionais. No capítulo de relações dessa espécie, há muita inconsciência criminosa e indiferença sistemática às leis divinas. Desse plano não seria razoável qualquer comentário de nossa parte. Trata-se dum domínio de semibrutos, onde muitas inteligências admiráveis preferem demorar em baixas correntes evolutivas. É inegável que também aí funcionam as tarefas de abnegados construtores espirituais, que colaboram na formação básica dos corpos, destinados a servirem às entidades que reencarnam nesses círculos mais grosseiros. Entretanto, é preciso considerar que o serviço, em semelhante esfera, é levado a efeito em massa, com características de mecanismo primitivo. O amor, nesses planos mais baixos, é tal qual o ouro perdido em vasta quantidade de ganga, exigindo largo esforço e laboriosas experiências para revelar-se aos entendidos. Entre as criaturas, porém, que se encaminham de fato, aos montes de elevação, a união sexual é muito diferente. Traduz a permuta sublime das energias perispirituais, simbolizando alimento divino para a inteligência e para o coração, e força criadora não somente de filhos carnais, mas também de obras e realizações generosas da alma para a vida eterna."

(Instrutor Alexandre, no livro "Missionários da Luz", ditado por André Luiz, para Chico Xavier. 1945. 22ª. edição. Pag.198. FEB)

sábado, 12 de novembro de 2011

Testamento - Alda Lara

À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...

E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...

Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...

E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.

Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...

Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...

--

(Compartilhado pelo colega Ediloy, a quem agradeço!)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA – Richard Simonetti

(...) o arrependimento sincero, de quem se conscientiza dos próprios enganos e se dispõe a uma guinada existencial, modificando seus rumos, não é fácil. O homem comum distrai-se de suas responsabilidades, sempre pronto a justificar seus desvios com intermináveis sofismas:

- Roubei, sim, e até matei, porque tinha fome – alega o criminoso esquecido das bênçãos do trabalho.
- Enriqueci, sim, mas com meu esforço, com o trabalho digno, sem prejudicar ninguém – proclama o industrial que explorou seus empregados e usou de especulações nos domínios de seus negócios.
- Bebo sim, mas para enfrentar os problemas da existência – explica o alcoólatra, sem atinar para o fato de que se transformou, ele próprio, num grande problema.
- Traí meu marido, sim, envolvi-me em aventuras extraconjugais, porque ele não me dava atenção – afirma a mulher displicente, a justificar sua irresponsabilidade.

Pessoas assim transitam pela vida de consciência anestesiada pela indiferença em relação aos valores morais, para somente despertarem no Plano Espiritual, quando se habilitam a penosas jornadas de retificação.

(...)

No entanto, a mesma displicência moral que faz o delinquente, o explorador, o viciado, o adúltero, induz o espírita a justificar suas omissões:

- O Espiritismo ensina que é preciso praticar a caridade, ajudar o próximo, participar de serviços assistenciais, mas não tenho tempo. Há a família, a profissão, os compromissos financeiros...
- O Espiritismo adverte que devo conter meus impulsos inferiores, mas não consigo. Sou um fraco...
- O Espiritismo orienta que devo harmonizar-me com os familiares. Impossível. São muito difíceis...

Há quem informe:
- Não posso proclamar-me espírita, porquanto tenho muitas mazelas...

Companheiros assim esperam pela virtude para serem espíritas. Ignoram deliberadamente que o espírita não é, necessariamente, um virtuoso. Apenas alguém disposto a assumir compromisso com a virtude.
Acomodados na superficialidade de suas convicções e na rotina de pálida participação em atividades espíritas, verificam, um dia, quando a morte impõe o balanço de sua existência, que tiveram tudo para caminhar mais depressa, para superar suas imperfeições e, no entanto, fizeram do conhecimento veiculado pelo Espiritismo um mero acréscimo de responsabilidade.

(...)


(Do livro “UM JEITO DE SER FELIZ”, de Richard Simonetti. 6ª. Edição, 2002. Editora CEAC.)

terça-feira, 5 de julho de 2011

(alguns) "Conceitos de uma cartilha preparatória"

"Cada Espírito é um mundo vivo com movimento próprio, atendendo às
causas que criou para si mesmo, no curso do Tempo, gravitando em
torno da Lei Eterna que rege a Vida Cósmica.”

“Dois terços das criaturas humanas encarnadas na Crosta
da Terra demoram-se em jornada evolutiva da
Irracionalidade para a Inteligência ou da Inteligência para
a Razão; a terça parte restante acha-se em trânsito da
Razão para a Humanidade. Fora do corpo terrestre, mas
ligados ao mesmo plano, evolutem bilhões de seres
pensantes nas mesmas condições.”

“Em esferas mais elevadas do Planeta, outros bilhões de almas
caminham da Humanidade para a Angelitude.”

“O processo de educação do Ser para a Divindade tem sua
base no reencarnacionismo e no trabalho incessante.”

“O instituto das compensações funciona igualmente para todos.”

“Ninguém ilude as leis universais.”

“Os recursos de dignificação da individualidade permanecem ao dispor da
comunidade planetária nas diversas escolas religiosas da Terra, escolas
que se diferenciam no culto externo, de acordo com os impositivos de
espaço e tempo, mas que, no fundo e em essência, se irmanam na Fonte
da Eterna Verdade, em que a integração da Alma com a Luz Divina se
realiza por intermédio do Supremo Bem.”

“Jesus é o Ministro do Absoluto, junto às coletividades que
progridem nos círculos terrestres; os grandes instrutores
do mundo, fundadores de variados sistemas de fé,
representam mensageiros dEle, que nos governa desde o
princípio.”

“Toda criatura humana possui consigo as sementes da Sabedoria e do
Amor; quando ambientar esses divinos germes, dentro de si mesma, e
desenvolvê-los amplamente, através dos séculos incessantes,
conquistará as qualidades do Sábio e do Anjo, que se revelam na
sublime personalidade dos Filhos de Deus, em maioridade divina.”

....................................
("Conceitos de uma cartilha preparatória." Do livro "Voltei", capítulo 17: "Na escola da iluminação." Irmão Jacob/Psicografia de Chico Xavier. 1999. 19a ed. FEB)

sábado, 6 de novembro de 2010

35. (Tagore - Gitanjali)

Onde o espírito vive sem medo e a fronte se mantém erguida;

Onde o saber é livre;

Onde o mundo não foi dividido em pedaços por estreitas paredes
domésticas;

Onde as palavras brotam do fundo da verdade;

Onde o esforço incansável estende os braços para a perfeição;

Onde a clara fonte da razão não perdeu o veio no triste deserto de areia do
hábito rotineiro;

Onde o espírito é levado à Tua presença, em pensamento e ação sempre
crescentes;

Dentro desse céu de liberdade, ó meu Pai, deixa que se erga minha Pátria.

domingo, 25 de julho de 2010

Oração Lakota

Wakan Tanka, Grande Mistério
Ensina-me a confiar
Em meu coração,
Em minha mente,
Em minha intuição,
Em minha sabedoria interna,
Nos sentidos do meu corpo,
Nas bençãos do meu Espírito,

Ensina-me a confiar nessas coisas
Para que eu possa entrar no meu
Espaço Sagrado
E amar muito além do medo
E assim caminhar na beleza
Com o passo do glorioso Sol.


Para os Lakota (Sioux) o Espaço Sagrado é o espaço entre o inspirar e o expirar (estar vivo e pleno aqui e agora). Caminhar na beleza é ter o céu (espiritualidade) e a terra (físico) em harmonia. - in A Lenda da Pequena Flor - romance espírita de Luiz Sergio Gomes.

sábado, 24 de julho de 2010

do aborto e do direito à vida

Traz consigo sublimes objetivos,
Cada serzinho que ao orbe retorna -
São resgates, missões, é tanta prova
Que são sagrados os dias vividos.

Não sei se pra nascer tenha pedido,
Ou mesmo se essa volta foi imposta.
Natural, porém e, à vida, o que importa
É seguir o seu curso, nos seus riscos.

Um aborto pode parecer saída
Ao olhar leviano, ou imediato,
Prisioneiro, nas teias da matéria...

Mas que tanta lágrima a Vida verte
Pelo que parte porque o seu contrato
Se descumpre no ventre que o recebe.


"O aborto é sempre lamentável (...) um delito muito grave perante a Providência Divina, porque a vida não nos pertence e, sim, ao poder divino." Chico Xavier, in “Mandato de Amor"

Ressalva:
O Livro dos Espíritos (Questão 359):
"Dado o caso em que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?
- Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe."
(do Manifesto Espírita sobre o Aborto)
.....................................

sábado, 24 de abril de 2010

Mansidão - Richard Simonetti

"Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra." (MATEUS, 5:5.)

Na atualidade terrestre, o vocábulo manso tem um sentido quase pejorativo. Usá-lo para referir-se a alguém soa como um xingamento. É como dizer: "É um pobre diabo! Corre água em suas veias!"
Isto porque estamos distanciados da angelitude, e a violência é o clima próprio da personalidade humana, ainda próxima da animalidade.
Todavia, se diante da rudeza humana a condição de mansuetude parece vexatória, e quase um mal, diante de Deus representa um passo decisivo no caminho do aprimoramento moral.
O indivíduo manso é tão-somente alguém que conseguiu superar os impulsos agressivos que caracterizam o estágio evolutivo em que nos encontramos, tornando-se senhor de si mesmo.

(...)

Herdar a Terra não significa, naturalmente, que ela se tornará de nossa propriedade, e sim que viveremos aqui, quando, expulsas as forças do Mal, nosso mundo passar a um estágio mais elevado, onde predominará o Bem.

(...)

Através das vidas sucessivas, com a aplicação da Lei de Causa e Efeito, que nos obriga a receber de volta toda violência praticada, aprendemos a conter impulsos primitivos, ajustando-nos às Leis Divinas.
Ontem nos comprazíamos em utilizar a força física para humilhar e fazer prevalecer nossa vontade. Hoje ostentamos um corpo mirrado, linfático, que inibe a agressividade em potencial que conservamos.
Ontem feríamos verbalmente, difamando, mentindo, conspurcando nomes respeitáveis. Hoje, distúrbios nas cordas vocais ou limitações nos centros de coordenação da voz nos obrigam a estancar o próprio veneno, reajustando a palavra.
Ontem cultivávamos rancor e mágoa, ressentimento e ódio, espalhando vibrações deletérias e desajustantes. Hoje, trazemos a mente torturada por mil problemas que nos fazem pensar no valor do perdão e da fraternidade, do respeito e da compreensão.
Assim, a Sabedoria Divina desfaz os derradeiros laços de animalidade a que nos apegamos, preparando-nos para o voo rumo à Angelitude.

(Do Livro "PARA VIVER A GRANDE MENSAGEM", de Richard Simonetti - FEB )

sexta-feira, 12 de março de 2010

Tu me fizeste conhecido de amigos que eu não conhecia. Tu me deste assento em lares que não eram o meu. Tu trouxeste para perto o que estava distante e fizeste de um estranho meu irmão.

O meu coração se inquieta quando tenho que deixar o meu refúgio habitual; eu me esqueço que é aí que o velho permanece novo, e que aí tu também habitas.

Desde o nascimento até a morte, neste mundo ou em outros, onde quer que me conduzas, tu és o mesmo companheiro, único da minha vida infinita, que prendeu para sempre o meu coração com laços de alegria a um desconhecido.

Quando alguém te conhece, então não há mais estranhos e nenhuma porta se fecha mais. Oh, atende a minha súplica para que eu nunca chegue a perder a graça do contato desse que é o principal no jogo de muitos pares.


Tagore - Gitanjali

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Síntese das Antíteses - Lao Tse

Só temos consciência do belo,
Quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom,
Quando conhecemos o mau.
Porquanto, o Ser e o Existir,
Se engendram mutuamente.
O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares.
O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo.
Eis porque o sábio age
Pelo não-agir.
E ensina sem falar.
Aceita tudo que lhe acontece.
Produz tudo e não fica com nada.
O sábio tudo realiza - e nada considera seu.
Tudo faz - e não se apega à sua obra.
Não se prende aos frutos da sua atividade.
Termina a sua obra,
E está sempre no princípio.
E por isso a sua obra prospera.


(Tradução de Huberto Rohden)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cantiga de Esperança - Maria Dolores

Alma querida,
Por mais que o mundo te atormente
A fé simples e boa,
Por mais te lance gelo na alma crente,
Na sombra que atraiçoa,
Alma sincera,
Escuta!...
Sofre, tolera, aprende, aperfeiçoa,
Porque, de esfera a esfera,
Ninguém consegue a palma da vitória,
Sem apoio na luta.


Espera, que a esperança é a luz do mundo --
Oculta maravilha --
Que, em toda a parte, se revela e brilha
Para a glória do amor.
A noite espera o dia, a flor o fruto,
O espinho a rosa, o mármore o buril,
O próprio solo bruto
Espera o lavrador
Armado de atenção, arado e zelo...
O verme espera o sol para aquecê-lo.


A fonte amiga que se desentranha
Do coração de pedra da montanha,
Enquanto serve, passa e se incorpora
Aos encargos do rio que a devora,
E espera descansar,
Quando chegue escondida
A paz da grande vida
Que há no seio do mar.


Seja o que for
Que venhas a sofrer,
Abraça o lema regenerador
Do perdão por dever.


Leva pacientemente o fardo que te leva,
Entre o rugir do vento e o praguejar da treva...
Abençoa em caminho
Os açoites da angústia em torvo redemoinho;
Onde não possas, coração,
Entretecer a alegria de louvar,
Cala-te em oração
E segue sem parar,
Amando, restaurando, redimindo...


Edificando, em suma,
Não te revoltes contra coisa alguma!...
Ao vir a tarde mansa,
Na doce quietação crepuscular,
Quando a graça do corpo tomba e finda,
Verás como foi alta, nobre e linda
A ventura de esperar.


E, enquanto a noite avança
Para dar-te as visões de uma alvorada nova,
Nas asas da esperança,
Bendirás a amargura, a dor e a prova,
Agradecendo à Terra a bênção de entendê-las.
Subirás, subirás
Para o ninho da luz nas estâncias da paz,
Que te aguarda, tecido em radiações de estrelas!...


Então, compreenderás
Que, além do mais Além --
No Coração da Altura --
Deus trabalha, Deus sonha, Deus procura,
Deus espera também!...


(Psicografia de Chico Xavier - Poetas Redivivos)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Fosse... Foi... por Lucia Constantino

Fosse um grito
da raiz até a folha.
Ou fosse um som de violino
teria talvez perfurado os ventos
que noites adentro
a alma desfolham...
mas foi só aquele breve momento
de atravessar o mar
dentro dos olhos.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Lá fora, no Universo de Deus, as estrelas
brilham com luz suave e radiosa.
Cá dentro, na minha pobre choupana,
apenas uma vela que eu mesmo acendi
para iluminar o espaço de minha solidão.
Felizmente chegou o momento em que a vela se apagou.
Na penumbra do quarto, com medo de mim mesmo,
levantei-me e abri a janela.
Lá fora, no Universo de Deus, o firmamento
permanecia coroado de beleza e luz.
Deixei, então, a janela para sempre aberta.

Tagore Além das Estrelas

sábado, 11 de abril de 2009

Moralidade ou Ética - Lao-Tse

Quem vive nas profundezas do seu ser
Nada sabe de virtuosidade.
Dele brotam espontaneamente
As íntimas forças da vida.
Quem vive na superfície do seu agir
Não pode fazer brotar as forças profundas.
Quem vive nos abismos de sua alma,
Ignora a moralidade do seu agir.
Desconhece o que seja ego-agência.
Quem vive na superfície de sua alma
Age egoicamente, visando fins externos.
O amor impele ao agir,
Mas não quer nada para si.
A justiça impele ao agir,
Mas não age por ambição
A moral também impele ao agir,
E, se não consegue o que quer,
Recorre à violência.
Por isto, ó homem, reconhece:
Quem não tem a visão do Tao,
Age por virtuosidade.
Quem não tem virtuosidade
Age pela caridade.
Quem nem disto é capaz,
Obedece a ritos e tradições.
Mas a dependência de ritualismos
É o ínfimo grau da moralidade.
É mesmo o início da decadência.
Quem julga poder substituir pela inteligência
A cultura do coração,
Esse é um tolo.
Pelo que, atende a isto:
O homem correto
Age por uma lei interna,
E não por mandamentos externos.
Bebe as águas da Fonte,
E não dos canais.
Transcende estes
E vai sempre à origem daquela.

Fonte: Tao Te King, Tradução de Huberto Rohden

segunda-feira, 30 de março de 2009

Desceste do trono e ficaste à porta da minha choupana.
Eu estava cantando sozinho num canto, e a melodia chegou aos Teus ouvidos. Desceste e ficaste à porta da minha choupana.
Há muitos mestres-cantores na Tua morada, e aí são entoados cânticos em Teu louvor a toda hora. Mas a cantiga simples deste noviço atingiu o Teu amor. Uma melodia triste e pequena juntou-se à grande música do mundo, e como uma flor que se recebe como prêmio, desceste e ficaste à porta da minha choupana.

Tagore - Gitanjali